segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lost!




“Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir nem tentar. Agora tanto faz.
Estamos indo de volta pra casa.”

Cássia Eller



Preciso confessar uma coisa, até a mim mesma. Meu coração dói, dói tanto. Eu sou apenas uma adolescente. Eu tenho apenas dezessete anos. E vivo como se acabasse completar meus oitenta e cinco. Sinto falta de amigos, de brincar de boneca, de subir no pé de goiaba. Penso a todo o momento sobre meu futuro, eis minha única preocupação. Sonho com filhos, com emprego, com conforto. Sonho com um futuro melhor pro meu país. Sonho com a música, com a arte. Sonho até com a felicidade. Talvez eu não tenha passado por tanto sofrimento, mas vivenciei sofrimentos alheios que me tiravam o chão, que me supriam de toda maturidade possível. Eu sempre olhei demais pros lados, sempre enxerguei além de mim, ou depois de mim. Nunca a mim. Eu quero chorar, eu quero gritar, mas faltam-me lágrimas e voz. É como se eu fechasse os olhos e visse o meu futuro bem à frente. Como um filme que eu ainda nem vi. Eu perdi a fé em mim, completamente. Nunca vou fazer alguém feliz, nunca vou ter força pra realizar meus sonhos e vou viver sempre esse embaraço que é o medo. Às vezes eu peço pra ter a dor, às vezes eu a desejo. Ao menos eu teria um motivo pra ter esperança, um motivo pra conquistar. Algo que valesse a pena. Ou então, não teria nada. Mas poderia ficar ali, olhando pra pintura da parede e observando os rostos que me encaram da janela. A dor não dói mais. Que sentido teria então.
Nunca vi a morte como uma saída. Isso é melancólico demais. A morte é uma passagem. É uma coisa boa, pelo menos deveria ser, assim espero. Eu só queria ter uma solução, ter um futuro, ter uma família e tudo mais. Queria me vencer, jogar fora todo o medo, ter fé em mim. Mas não vejo sentido, não vejo necessidade. Mas eu vou lutar, foi pra isso que eu vim até aqui. E eu vou vencer, de uma forma ou de outra. Eu espero. Se eu vencer a mim mesma já é algum começo. Eu nem sei o que dizer de mim mesma. Nem eu sei dos meus enigmas. Um dia, quem sabe, alguém os desvende por mim. Eu cansei.
Eu quero muito comer, no fundo eu quero.

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