quinta-feira, 3 de junho de 2010

Algum Capítulo ou vértice de uma história que insisto contar,

Relações puras e rotuladas

“Ingênua de vestido assusta.
Afasta-me do ego imposto. Ouvinte claro, brilho no rosto.
Abandonada por falta de gosto.
Agora sem, não mais reclama. Pois dores são incapazes.
E pobres desses rapazes, que tentam lhe fazer feliz.
Escolha feita inconsciente, de coração não mais roubado.
Homem feliz, mulher carente. A linda rosa perdeu pro cravo.”

Maria Gadú



Olá, meu nome é Anna, tenho pelos meus 17 anos e moro no interior de algum estado. Tenho alguns sonhos, algumas perspectivas e alguns medos. Tenho alguns amigos, algumas obrigações e algumas complicações. Enfim, venho rotulando a mim mesma como o ‘inicio sem fim’. Um início desastroso, inclusive, que por mais insistente que seja, teme encontrar o fim. Medo talvez não seja a melhor forma de expressar tal. Na verdade nem eu mesma sei quais são os inícios e os fins. Principalmente os fins. Eu vivo rebuscada de intenções. Intenções metafóricas, até. Em outras palavras, perdida num beco sem saída. Eu realmente não sei o que fazer daqui pra frente. Eu vivo uma realidade que assusta, uma realidade que não se encaixa de forma alguma no meu ideal platônico de vida. Eu gosto de tudo aquilo que não existe, tudo aquilo que eu insisto criar, revolucionar, nem que seja no meu mundinho particular ou dentro do que eu chamaria de ‘ego involuntário’.
Sou viciada em balas de menta e adoro esportes. Sou virginiana, caseira e nem um pouco desorganizada. Mantenho meu exterior em linha reta, sem nenhuma interrupção, nada de curvas aleatórias. Odeio mau cheiro, odeio sons de comida sendo mastigada, odeio comer. Falo sozinha em inglês e adoro música clássica. Odeio meus governantes, mas amo demasiadamente meu país e todos que fazem questão de promover a sapiência.
Complicada, seria sem dúvida alguma meu sobrenome. Complicada, inconveniente, descontrolada, incompreensível, sem remuneração. Eu vivo pra buscar os problemas que se ofuscam em meio à sociedade privada. Aquela sociedade que faz questão de me manter distante ao máximo, até por questões de padrões sociais e democráticos. Eles dão tapa na cara de quem se permite volver. Padrões de beleza nunca foram o meu forte, confesso. Mais um aspecto e ponto certamente responsável pela minha não-socialização indigente. Talvez eu seja como uma imigrante do Irã no Estados Unidos. Comparação didaticamente impossível.
Sou sozinha, honesta, humilde. Odeio o preconceito em todos os seus aspectos e formas. Exerço sustentabilidade, promovo o desapego e reparto até das minhas metades.
Eu também gosto de tudo aquilo que causa confusão. Tudo aquilo que nem eu mesma entendo, talvez ser insana seja minha melhor e pior qualidade. Se detestares tal característica, aconselho-te fechar esse labirinto de pensamentos e focar-se em algo palpável. Dá-lhe mais futuro. Crê em mim. Mas se insistir, não te assuste ou descrimine meu pobre ser. Talvez algo em mim, em pequena porcentagem, lhe encante.
Enfim, meu nome é Lady Insane.

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