quinta-feira, 6 de maio de 2010

Me poupe das verdades,

As quedas são boas, porém. Elas servem pra te mostrar que você ainda está vivo. Que ainda há carne, ossos e sentimento onde você não consegue enxergar nada além de um vazio. Quedas tentam sua força, elas te fazem levantar, te fazem ter coragem pra enfrentar mais uma guerra. Por tanta tristeza, ainda me sinto feliz, pois sei que ainda posso chorar e lutar por um sorriso. Pior seria se a queda fosse vital. A pior parte de uma queda é assumir o erro. O erro sim machuca. Eis o vilão de toda a história. O erro é uma das poucas coisas que consegue nos mostrar que somos muito menos dos que pensamos, ou talvez, que fomos muito menos do que somos. Mas não há como sentir o gosto, se não provares. Caminhando ao pessoal, talvez eu tenha caído. Caí porem, fundo demais. Desistir é tão melancólico, tão nostálgico. Sentir saudade da dor, sentir saudade do que você inutilmente era. Sentir saudade do que você não consegue mais possuir. Outrora inútil agora fracasso. Passado infame, presente destroçado. Eu quero, porém levantar. Ensaiei milhões de formas apreciáveis para tal, mas não há como elevar-se se o céu está tão distante. Tem primeiro de se firmar ao chão. Se não apreciável, ao menos dignamente levantar-me-ei. Ignorância já passou de moda, não compensa mais. Venho então, ensaiando mais algumas formas dignas de levantar-me, mas em todas elas há choro e dor, incenso e espinho, melancolia e desnorteio. Eu ainda sonho com finais felizes. Eu e minha mania de esperar um mundo mágico, um país de maravilhas. Mas sempre caio ao chão. Continuo insistindo no mundo platônico, a realidade já me feriu demasiadamente. Levantar-me-ei, dignamente hei. Mas que se afaste de mim toda realidade. O mundo não compensa mais.



photo from tylershields.com

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