domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dias iguais,

Volta e meia estou eu aqui, presa no medo. Presa num mundo do qual eu não sei ao menos o cheiro. Presa num mundo perdido, tão perdido quanto eu. Invejo-te todo esse seu ar de segurança. Eu bem queria. Ando tentando imprimir esse medo em anseios, mas é impossível sequer digitalizá-los. Vida boêmia, boêmia vida. Intriga-me o fato de tudo parecer tão simples pra você, de tudo ser tão fácil, tão compreensível. Eu bem queria um mundo assim. E eu aqui perdida entre decisões, entre confusões e soluções que não se encaixam. Eu quero um sonho só pra mim, eu quero um dia só pra mim. Eu quero essa sua certeza abundante e esse seu olhar de superioridade. Quero essa sua força e esse seu modo que você chama de vaidade. Você é tão bom, não é? Eu bem queria. Então você me diz que hoje vai ser só pra mim. Que hoje o dia nasceu com meu olhar e que tudo está seguindo o meu curso de vida. Eu levanto e a encaro assim, como se tudo estivesse a meu favor, e você se faz de bobo só pra me desafiar. E eu me meto, entre flores e sorrisos, tentando achar sequer um motivo pra ficar e insistir. E no fim de tantos caminhos, entrelinhas e discursos, acaba tudo igual. Eu e meu medo, você e seus segredos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário