Era um dia qualquer, em um momento qualquer, e ela se pegou revivendo momentos dos quais insistia esquecer. Alguém a fez recordar de tudo, de todas as leviandades vividas. Ela estava ali, sóbria sobre a cama. Hesitou algumas vezes, e ainda algumas mais. Mas não adiantou, de nada adiantou. As memórias corriam ao seu encontro como pássaros ao ninho em busca de conforto. De alguma maneira todas aquelas lembranças a faziam bem, mas o sentimento não era só uma lembrança. O sentimento era real. Ela revivia a cada segundo aquele sentimento, que embora esquecido pela mente, estava imóvel no coração. Ainda havia algo ali, ou melhor, sempre houve. Queria ela não ter se encontrado com tal alguém em tal momento. Queria ela nunca mais saber do motivo que gerava tal sentimento. O sentimento, porém, era de amor. Um sentimento que satisfazia e cortava ao mesmo tempo. Um gosto de liberdade, um gosto de vontade, um gosto de saudade. E ao mesmo tempo um gosto de solidão, derrota e evasão. Enfim, ela estava revivendo. E reviveu por mais algum tempo. Quem dera nada tivesse acontecido. Quem dera estivesse ela ainda aqui. Quem dera. Aquela certa pessoa ainda a machucava, ainda a acarinhava. Quem dera nunca tivesse vivido ao lado teu. O dia se findou, a noite já estava à porta. E assim ela reviveu, reviveu, depois escreveu tudo sobre um lenço de saudade, e jogou janela a fora os restos da vontade.

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