Ela perdeu as esperanças, perdeu todos os seus sonhos e anseios. Ela definitivamente já não quer mais permanecer aqui. Aquela tristeza tão doce em seu olhar, e o sorriso que ela tenta buscar toda vez que escuta o telefone tocar. Dói por dentro a ver assim. Ela sai pelas ruas procurando um olhar, um olhar que ela não sabe ao menos a forma. Ela espera docemente, espera, porém, como alguém que nunca vai encontrar. Mas ela se fez tão forte, tão sólida. Ela não quer desistir jamais. Só não almeja ter de esperar por toda a vida. O tom castanho de seus cabelos já se faz esbranquiçado, suas delicadas mãos apresentam pequenas dobras do tempo. Hoje se completa 70 anos de espera, mas ela continua imóvel sobre a visão da janela. Tentando buscar aquele meigo sorriso toda vez que o trem se aproxima. Esse dia foi especial, porém. O trem parou. Parou e dele desceu um apreciável cavalheiro. Um cavalheiro de simples vestes e sorriso encantador que a tomou pela mão e a beijou docemente. Depois disso, a nobre senhora já não precisava mais esperar, ela realizara seu grande anseio. Hoje, a vendo aqui sobre esse humilde adorno, com um sorriso no rosto e as mãos sobre o peito, sinto sua felicidade, mesmo que distante. O cavalheiro não voltou. Mas este a levou pra bem perto de seu coração. Levou-a, para um lugar onde poderiam se amar por toda a eternidade. Um lugar distante. Um lugar além das nuvens.
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ResponderExcluirsem palavras para as tuas escritas.
que coisa mais linda de se ler!
apesar de ser meio triste, mas o modo como escreves é encantador. de verdade.
sua linda ♥ bj