Ela está sentada em sua cama, são duas horas da manhã. Ela olha ao seu redor, e imagina coisas, coisas que pra ela são tão inexplicavelmente reais. Ela vê vultos, semblantes, ora tristes, ora alegres. Olhares que a fitam, que a encaram. Ela está perdida em sua imaginação, escrava do seu subconsciente. A noite encobriu-se de aquecê-la, já não é mais necessário cobertor. O vento soprado da janela encobriu-se de acarinhá-la, já não é mais preciso atenção. As horas passam, o amanhecer se aproxima. Ela e seus olhares, ela e suas tentações, presas em um quarto, um quarto de alucinações. Na sua cabeça passa um filme, um filme de todos os seus contos perfeitos. A literatura já é incapaz de decifrá-la, ora romântica, ora realista, um tanto quanto parnasiana. È impossível decifrar o que se passa naquele volúvel coração frio e despedaçado. Ela pede em prece para que o dia apareça logo e a resgate do seu maior inimigo, o medo. Ela já não dorme faz alguns dias. Teme o escuro na noite, e o claro em plena tarde. Sua gaiola a força a sair, mas ela não está preparada para dar de cara com o concreto. Ela está presa em sua bolha de cristal, onde ninguém pode feri-la senão ela mesma. Aquele olhar, aquele inexpressivo olhar. A máscara que a cobre do mundo, da verdade. Ela grita por ajuda, mas ninguém pode a ouvir. Mas ela segue, mesmo incrédula, mesmo incapaz.


ah flor, obrigada mesmo...hum, seus posts sempre interresante hein? parabens!
ResponderExcluirfica com deus.